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A
universidade pública brasileira está em
crise. Uma crise caracterizada, sobretudo,
pela resistência da maioria de seus atuais
dirigentes em manter um diálogo aberto e
transparente com a sociedade. Mas quais são
os fundamentos dessa crise? Como podemos
superá-la? Para elucidar estas questões,
precisamos recorrer às teorias de
modernização da sociedade.
Alberto Guerreiro Ramos,
sociólogo brasileiro de renome
internacional, afirma que o processo de
modernização da sociedade, incluindo suas
instituições e organizações, pode ser
compreendido dentro de uma escala cujos
extremos correspondem a duas teorias: a
teoria N (da necessidade) e a teoria P (das
possibilidades).
A teoria N parte da premissa de
que o processo de modernização deve seguir
uma lei de necessidade histórica que
estabelece um “caminho único” para uma dada
sociedade alcançar um estágio superior de
desenvolvimento. Em contrapartida, a teoria
P propõe que o processo de modernização não
tem fundamento em um receituário
determinístico, mas que existem
possibilidades variadas, segundo o contexto
de cada sociedade. Com base na teoria N, a
universidade pública deve assumir a forma de
uma organização burocrática comandada por
uma elite conservadora. Com este desenho
institucional, a universidade tende a se
enrijecer, pouco inova e se limita a
reproduzir o que já está cientificamente
comprovado e ultrapassado.
A adoção da teoria P aproxima a
universidade pública da sociedade por meio
da participação constante de suas lideranças
em um amplo debate com as comunidades em
torno de alternativas de solução para os
problemas locais e globais, que surgem das
mudanças de um mundo em transformação. O
desenho institucional da universidade pode
assumir, então, a forma de uma rede aberta,
em expansão espiral, que envolve tanto o
mercado quanto setores não governamentais da
sociedade. |