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Quando
adolescentes entram irritados em suas
próprias casas, atirando coisas, gritando
com os próprios familiares; quando os
políticos, mais uma vez, vão dizer nos
espaços gratuitos de televisão e rádio que
vão dar prioridade à educação; quando os
professores são expostos à marginalidade
infanto-juvenil, agredidos diariamente,
cuspidos, ofendidos, impedidos de
desempenhar suas atividades, e nada podem
fazer, concluímos que existe uma crise pior
do que a financeira. É a crise de valores
outros que atinge toda a sociedade, as
famílias, os pais, os adolescentes e as
crianças (que serão o futuro do Brasil).
É a crise da falta de respeito
geral e em especial pelos professores. Será
que a impunidade não está contribuindo para
que num futuro próximo esses adolescentes,
já adultos, cometam infrações, as mais
variadas e graves, aumentando a superlotação
dos presídios? Historicamente mal
remunerados e pouco valorizados, professores
se encolhem, por falta de apoio dos órgãos
competentes permitindo abusos inimagináveis
até bem pouco tempo atrás.
Impotência diante desses fatos é
o que sentem os professores. O Estatuto da
Criança e do Adolescente não é cumprido na
íntegra, sendo usado na maioria dos casos
para referendar as atitudes absurdas dos
alunos e as omissões dos pais, sem uma
análise mais ampla de todo o contexto dos
fatos. O próprio direito de trabalhar do
professor é cerceado. E, o direito das
outras crianças que estão em sala de aula e
querem aprender, como fica?
Os professores se retraem, os
diretores têm medo e as autoridades não
querem enxergar. Mas prometem sempre que, se
forem eleitos, darão prioridade para
educação e saúde. Por falar nisso, a saúde
dos professores vai de mal a pior com o
estresse crescente no ambiente de trabalho
em função de tudo isso. Alta incidência de
uso de medicamentos antidepressivos, de
hipertensão arterial, diabetes e outros
danos físicos e mentais.
E, mais que isso, os professores
estão sofrendo de fobia escolar, antes um
distúrbio psicológico exclusivo das
crianças. O professor que desenvolve fobia
escolar sente um pavor da escola e da sala
de aula, com um quadro que inclui
palpitações, tremores e cefaleia. Como diz
Lya Luft: “Todos os indivíduos, não importa
a conta bancária, profissão ou cor dos
olhos, podem reverter esta outra crise: a do
desrespeito geral que provoca violência
física ou grosseria verbal em casa, no
trabalho, no trânsito”. Vamos acordar
enquanto é tempo.
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