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Agência Brasil
Uma
proposta de emenda à Constituição (PEC)
aprovada em 2009 traz um novo desafio
educacional para o país: incluir na escola,
até 2016, todas as crianças a partir dos 4
anos de idade. Mas, além da matrícula, será
preciso um esforço ainda maior para garantir
educação de qualidade a essa faixa etária.
Pesquisa do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) e do Ministério da
Educação (MEC) mostra que as creches e
pré-escolas ainda contam com estrutura e
projeto pedagógico insuficientes para
garantir o pleno desenvolvimento desses
alunos.
O
estudo foi divulgado nesta segunda-feira
(15/06) em São Paulo durante o seminário
Educação Infantil no Brasil: Avaliação
Qualitativa e Quantitativa. Foram visitadas
150 escolas públicas de educação infantil
(creche e pré-escola) em Belém, Campo
Grande, Florianópolis, Fortaleza, Teresina e
no Rio de Janeiro. Sete aspectos foram
avaliados: espaço e mobiliário, rotinas de
cuidado pessoal, linguagem e raciocínio,
atividades, interação, estrutura do programa
e pais e equipe. Em todas as áreas, os
resultados alcançaram o nível básico ou
inadequado.
Para
cada um dos quesitos foi atribuída uma nota
de 0 a 10 dentro de uma escala divida em
níveis: inadequado (1 a 3), básico (3 a 5),
adequado (5 a 7), bom (7 a 8,5) e excelente
(8,5 a 10). A nota mais alta foi obtida na
avaliação sobre os processos de interação
entre adultos e crianças: 5,6. A secretária
de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar
Lacerda, avalia que os resultados preocupam,
mas já eram esperados. Ela ressalta que
somente na última década a pré-escola e a
creche deixaram de ser administradas pelas
secretarias de Assistência Social e passaram
a ser vistas como um serviço da área de
educação.
“A
gente não pode perder a perspectiva
histórica. É um movimento ainda muito novo”,
afirma. O especialista em educação do BID,
Marcelo Perez, concorda com essa explicação.
“Esse é um setor ainda em busca de
identidade”, acredita. As atividades
desenvolvidas com as crianças e a estrutura
da programação em sala de aula foram os
aspectos tiveram nota abaixo de 3
(inadequados). Em relação às atividades, são
consideradas, por exemplo, a disponibilidade
de materiais para trabalhar a coordenação
motora dos alunos, como quebra-cabeça e
jogos de encaixe, a existência de atividades
relacionadas à música, a presença de
brincadeiras de faz de conta e o uso
adequado da TV ou do vídeo.
O
quesito estrutura do programa observou o
ritmo da programação diária das turmas,
incluindo como se organizam as rotinas de
cuidados pessoais e as atividades livres e
em grupo. Essa programação diária não deve
ser extremamente rígida e nem
“demasiadamente flexível”, sem planejamento.
A
nota obtida foi 2,5. Apesar do quadro, Pilar
defende que já está sendo feito um “grande
esforço” por parte dos municípios e do
governo federal para tornar a creche e a
pré-escola um serviço, de fato, da educação.
“O maior sinalizador disso é o Fundeb [Fundo
de Desenvolvimento da Educação Básica]. Ele
sinaliza que temos uma política consistente
de educação infantil”, aponta. Criado em
2007, o fundo passou a financiar também as
matrículas da educação, substituindo o
antigo Fundef, que só garantia verbas para o
ensino fundamental.
No
MEC, a principal ação para ampliar as
matrículas nessa etapa do ensino é o
programa Proinfância, que constrói centros
de educação infantil nos municípios. Segundo
Pilar, 1,7 mil escolas já estão em
construção, 200 delas prontas. "Mas não pode
ser qualquer educação infantil, tem que ser
com qualidade. Nós já estamos com políticas
que induzem a ampliação com qualidade e esse
é um investimento alto", diz. Marcelo Perez
defende que é muito importante dar ao setor
"a identidade" da qual ele precisa. Essa
"falta de identidade" está por exemplo na
formação dos professores que não são
capacitados para trabalhar especificamente
com essa faixa etária, mas recebem uma
formação generalista. “Na sala de aula a
disposição das mesas e a metodologia são
quase as mesmas utilizadas para uma turma do
1° ano do ensino fundamental. É preciso dar
características próprias a esse nível. Isso
precisa ser construído”, destaca Perez. |