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Há alguns anos trabalhando
com inclusão escolar de crianças com
problemas no desenvolvimento, o Projeto
Incluir vem discutindo essa prática que
cresce a cada dia. A escola regular muitas
vezes “inclui” um aluno com necessidades
educacionais especiais sem alguns cuidados,
em nome de uma lei que fala que todos têm
direito à educação.
Colocar uma criança com
graves problemas numa sala de aula regular é
algo a se fazer com cautela. Quando falamos
em inclusão escolar não se trata apenas de
reunir impreterivelmente os diferentes,
proporcionando um ensino igual para todos, o
que leva, paradoxalmente a uma tentativa de
normatizá-los para que convivam numa mesma
sala.
Incluir uma criança
“diferente” na escola regular significa
proporcionar a todos os alunos o aprendizado
de conviver com a diversidade, sem anulá-la.
Experiência esta que faz parte de toda
cultura, de qualquer sociedade. Isto quer
dizer o que? Que não é possível apagar as
diferenças, inclusive no que diz respeito ao
aprendizado. Portanto, a inclusão como
imaginamos e idealizamos não é a mesma que
vemos na prática. Mas isso não é um
problema.
É importante lembrarmos que o
processo de socialização pelo qual todos
vivenciam quando ingressam na sociedade
passa por inclusões e exclusões de grupos
que naturalmente se formam, ou seja,
acabamos por nos reunir com nossos
semelhantes, aqueles com os quais temos algo
em comum. E como conseqüência há uma
tentativa de evitar o contato com aqueles
que consideramos muito diferentes de nós. O
processo de socialização vivenciado pela
criança na escola é similar, ela une-se
àqueles que mais se afinam a ela, inclui ou
é incluída num grupo, exclui ou é excluída
de outro. Quem não presenciou em sua própria
experiência escolar a formação de
“panelinhas”, ou mesmo o fato de um colega
não ser escolhido para um jogo de futebol
por ser gordinho ou lento demais ou ainda o
isolamento daquele que só pensa em estudar,
ou que é aparentemente “esquisito”?
A palavra Inclusão não
significa promover a adequação ou a
normatização de acordo com as
características de uma maioria, seu
significado está mais próximo à
possibilidade de fazer parte, conviver e não
se igualar. Portanto, é com grande cautela
que devemos levantar a bandeira da inclusão
escolar de crianças com graves problemas de
desenvolvimento. Ao invés de tomarmos o
assunto partindo de um ideal, do que diz a
lei, é mais apropriado levar em consideração
a própria criança, verificar o problema que
ela apresenta e a partir daí avaliar a
maneira de ingressá-la numa ou noutra sala
de aula.
Ao ficarmos presos à premissa
de que uma criança deve estar numa sala de
aula do ensino regular de qualquer maneira,
a qualquer custo, perdemos de vista o mais
importante: a própria criança. Ao colocarmos
uma criança - principalmente quando se trata
daquela que não consegue responder por si
própria - na escola, assumimos um
compromisso com ela. Qualquer discussão, por
mais legítima que seja, não deve desviar
nossa atenção do foco principal - a criança
a ser incluída. Portanto, é preferível
prorrogar um processo de inclusão escolar
numa escola ou classe do ensino regular do
que realizá-lo apenas em nome de uma lei. O
termo Inclusão Escolar não se limita a uma
única ação. Há diversas maneiras de
viabilizar esse processo. |