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Estatuto racial passa sem cotas

Brasília
Estado de Minas, 17/06/2010 - Belo Horizonte MG

 

Criado para estabelecer diretrizes e garantir direitos para a população negra, o Estatuto da Igualdade Racial foi votado ontem no Senado e segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os deputados já tinham tirado a previsão de cotas em universidades para negros e cotas para negros em televisão e filmes. Os senadores eliminaram também a previsão de incentivo fiscal para empresas que contratassem negros e a cota de negros por partido nas eleições. Outra mudança envolve a troca da expressão “raça negra” por “etnia negra”.

            “O artigo sobre as cotas foi suprimido, pois temos projeto análogo para debater (Projeto de Lei Complementar 180-2008), e isso deve acontecer o mais rápido possível. Fica a cargo do poder público adotar programa de ação afirmativa”, disse o senador Demóstenes Torres (Democratas), relator do estatuto e um dos principais combatentes da política de reserva de vagas para etnias.

             A relatora da proposta de cotas, Serys Slhessarenko (PT), votou a favor do estatuto, mas fez a ressalva quanto a retirada do artigo 17, que previa as vagas nas universidades. “É uma perda não incluirmos as cotas no estatuto, mas ainda vamos debater o projeto que sou relatora, que é mais detalhado e específico”, disse. A criação do Estatuto da Desigualdade Racial tramitava no Congresso Nacional havia sete anos e teve diversos pontos modificados.

            Um deles, o artigo 17, propunha destinar 50% das vagas em universidades federais para estudantes que tenham cursado o Ensino Médio em escolas da rede pública de ensino e, dentro deste grupo, metade deveria ser dividida entre a população negra e indígena, de acordo com a proporção étnica do Estado registrada no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

POLÊMICA: O estatuto divide opiniões dentro do movimento negro. Algumas entidades apontam a lei como um avanço enquanto outras consideram o texto vazio por não tratar das principais bandeiras do movimento, como a questão das cotas raciais nas universidades e uma definição sobre quem são os remanescentes dos quilombos.

 
 
 
 

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