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Cerca de 1.500 jovens de todo o país
participam nesta semana do Encontro Nacional
de Estudantes de Direito (Ened), na
Universidade de Brasília (UnB). O tema desta
edição é também promoveu na tarde de hoje
(14/7) um ato público, em frente ao
Ministério da Educação (MEC). Na
manifestação, estiveram presentes
aproximadamente 300 estudantes de
universidades públicas e particulares de
todas as regiões do país .
A organizadora do encontro Gabriela Rondon,
19 anos , do 4º semestre de direito da UnB,
explica que o tema do ato foi decidido em
conjunto. Direito entre a Razão e a
Sensibilidade, com o objetivo de aproximar a
formação acadêmica da realidade social. Além
de debates, oficinas e atividades culturais,
o encontro. Com oficinas, cartazes e teatro,
os estudantes criticaram o atual currículo
do curso e a falta de critérios na abertura
de cursos de direito. “Defendemos uma
universidade que não forme operadores
técnicos, mas pensadores do direito que
estejam conectados com a realidade social.
Queremos abrir os olhos do direito para um
mundo fora da letra, dos códigos.”
A justiça não é cega - Durante o ato
foi apresentada uma peça de teatro. No banco
dos réus, o método de ensino das
universidades atuais. Na acusação, os
estudantes. E no meio, a justiça com vendas
nos olhos e um juiz amarrado com cordas que
mexia de acordo com a vontade alheia. “O
objetivo foi mostrar que juízes são
manipulados também. Que por traz da justiça,
tem, um sistema, o capitalismo, a educação
mercantilizada. Como resultado final
tirou-se a venda dos olhos da justiça, para
mostrar que a justiça tem olhos e que deve
olhar a sociedade ao aplicar as leis.”
O calouro Gabriel de Andrade, 21, da
Pontifícia Universidade Católica de Campinas
elogiou a atividade. “O ato foi uma forma de
ultrapassar as barreiras da universidade e
levar as discussões do movimento estudantil
para o governo também.” Segundo ele, é
preciso combater a mercantilização da
educação. “Atualmente ela é tratada como
mercadoria mesmo. O curso de direito tem que
ser mais humanizado e menos dogmático. O
encontro está sendo muito produtivo nesse
sentido.”
Germana Dalberto, 22, estudante do 9º
semestre da Faculdade de Direito de Santa
Maria (Fadisma) acredita que manifestações
como essa são o início de uma mudança real
nos currículos. “Aposto que os alunos se
sentiram parte da construção do método de
ensino do direito no Brasil, responsáveis. É
o primeiro passo para uma mudança, com
debate e ato público, depois temos que
pensar outras formas de atuação para dar
continuidade.”
Diálogo com o MEC - Depois da
manifestação, uma comissão de sete
estudantes foi recebida pelo sub-chefe de
gabinete do MEC, Angêlo Vínicius Roda . Eles
apresentaram críticas com relação ao
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação
e Expansão das Universidades Federais
(Reuni), às limitações do currículo de
direito e em defesa da valorização da
pesquisa e da extensão na universidade. Ao
final do encontro, neste sábado (17/09),
será produzido um documento com as
reivindicações estudantis. O MEC se
comprometeu a receber as propostas e
estabelecer um canal de comunicação direto
com alunos de direito de todo o país. |